“Achei que eles iam casar!”

26 novembro 2009

Achou mesmo?

Quem nunca ouviu uma frase assim? “Nossa, namoraram por tanto tempo, achei que iam casar!” Lembrei de dois amigos meus que são amigos entre si, que namoraram por muito tempo e todo mundo achava que iam casar com suas respectivas namoradas. Mas tem algumas coisas que a galera não entende.

1. Tudo que se vê….

“… não é o que parece!” Quem se lembra dessa música? Tá, coisa de infância de gente velha. Mas o que eu quero dizer com essa primeira coisa é que só quem tá dentro de um namoro que sabe o que realmente rola ali. Quando as pessoas dizem “Nossa, fulano e fulana dão um casal tão bonito, com certeza eles vão casar” eu já penso nesse 001. Lembro também de uma outra amiga, que exaltava o bilau do ex-namorado na frente de todo mundo, que também não casou. Parecia que tudo ia bem, certo? Errado. Brad Pitt que o diga.

"Deus, como eu quero matar essa mulher!"

Hoje em dia ele diria “Eu quero a p**** dos meus escalpos”.

Continue lendo »

Anúncios

Cansado.

17 novembro 2009

Hoje acordei cedo e estou me sentindo muito cansado.

Aí eu vejo esse vídeo e me poco de rir:

Huaehuaehauehau!! Salvou meu dia!


O Direito de Vestir

14 novembro 2009

Pessoal,

Sinto que voltei no tempo e estou falando sobre o Caso Isabela Nardoni de novo. É culpa do jornal, ficam dando tanta atenção à Geisy que me pego pensando na repercussão, e acabo pensando algo diferente que preciso falar. Não estou justificando, pensem pelo lado bom. Pelo menos estou escrevendo de novo.

É que eu li uma carta no “Painel do Leitor” da Folha de São Paulo de ontem (13/11), de uma médica ginecologista e obstetra chamada Socorro Magalhães, de Fortaleza/CE. Reproduzo aqui:

“Não entendo mais o que são valores morais.

É claro que vivemos numa democracia, mas o direito de um termina quando o do outro começa.

A conduta descabida, o erotismo e o modo de vestir-se e de se portar dessa garota desviava a atenção dos alunos das aulas, prejudicando o bom desempenho daqueles que ali se encontravam na luta por um espaço no mercado de trabalho nesse mundo altamente competitivo.

Ela queria chamar a atenção para si e conseguiu o seu intento com êxito, pois essa nossa sociedade nos surpreende com tamanha tolerância, fazendo dessa aluna ‘um exemplo, um ícone’ para os demais jovens brasileiros.”

Gostaria de respondê-la com outra carta, aberta, pois a Folha já publicou uma carta minha esse ano.

“Socorro,

Me ajude. Você está bagunçando o coreto todo. Vivemos, sim, numa democracia. Mas qual direito foi tolhido dos outros estudantes por Geisy? O direito de estudar? Ué, mas eles não podiam simplesmente ignorar um vestido curto? Você parte do princípio que todos os estudantes que vaiaram Geisy estavam desesperados por sexo. E que de tão excitados eles não conseguiam nem prestar atenção na aula!

Desculpe a ironia. É que seu discurso moralista me ofende como pessoa. Deixe-me dizer algo. Se Geisy fosse de fato estuprada, currada (estuprada coletivamente), e devassada dentro de um banheiro daquela faculdade, caso alguns alunos levassem esse desejo contido a cabo ao invés de apenas hostilizá-la como ‘puta’ entre outras coisas; você diria que ela é a culpada? Estou, sim, colocando palavras na sua boca. Mas seu texto parece me dizer ‘A culpa de tantos estupros ocorrerem é dessa juventude que fica saindo com roupas minúsculas!‘ O estuprador, na sua visão de mundo, é apenas um coitado que foi seduzido pela estuprada.

E ainda assim, na sua carta você fala que a sociedade ‘nos surpreende com tamanha tolerância’. Estou surpreso com essa tolerância. Pois o ‘puta, puta!‘ ouvido por Geisy também é o ‘bicha, bicha!‘ ouvido por homossexuais em nossas escolas. Onde está essa tolerância? Você usou aspas ao dizer que Geisy agora é ‘ícone, exemplo’. Está citando a quem? Vejo Geisy não como um exemplo a ser seguido, principalmente depois do acontecido, mas um exemplo de como o ódio e a intolerância está ao alcance de todos nós.

Não defenda os pobres estudantes, por favor. Pois eles são os mesmos estudantes que jogam garrafas em travestis, queimam índios, excluem bichas, pretos e pobres. E infelizmente fazem parte do futuro de nosso país.”

Um Voltaire moderno diria “Posso não concordar com a roupa que vestes, mas defenderei até a morte o direito de vesti-la”. Vivemos num país livre.


Sobre bodes expiatórios

13 novembro 2009

O mês de Novembro veio na trilha do “V de Vingança”: remember, remember, the 5th of November!

Tivemos dois bodes expiatórios de grande repercussão antes da metade do mês. A primeira foi a estudante Geisy Arruda, que foi expulsa da UniBan (irônico ter BAN no nome, só comentando) por estar em trajes imorais. O segundo foi Carlos Eugênio Simon, suspenso pela CBF até o final do Campeonato Brasileiro, por ter anulado um gol legítimo de Obina pelo Palmeiras, na última rodada do Brasileirão.

Quais são as semelhanças dos casos?

Os dois foram vítimas das circunstâncias. Não saberia explicar o caso de Geisy. Não sei se fazia calor. Se houve uma festa no dia anterior. Se a “macharada” estava exaltada por algum lançamento no cinema pornográfico (que não acompanho). Ou se foi a estreia de “Bastardos Inglórios” que os fez encarnar os justiceiros e ir à forra contra a suposta “profissional do sexo”.

Eu tenho aversão a linchamentos morais. A lembrança do “V de Vingança” não foi acidental. Guy Fawkes, o personagem histórico inglês que quis explodir o Parlamento, foi linchado moralmente, fisicamente, e executado como bode expiatório. Mas, pior do que isso, teve sua honra denegrida como poucos na história da humanidade. É como um Judas, numa extensão bem menor, claro. Acho que Tiradentes pode encarnar nossa versão tupiniquim. Também foi morto como representante da Inconfidência Mineira, e teve pedaços de seu corpo pendurado a postes como exemplo.

Guy Fawkes

Guy Fawkes, o original.

E você pode muito bem se perguntar agora, depois de uns parágrafos, “mas o que é que Geisy expia?”

Continue lendo »


%d blogueiros gostam disto: