Peraí…

13 julho 2010

Brinca não!


Dinheiro de plástico?

5 julho 2010

Imagine a seguinte situação.

Você está dirigindo seu carro por um bairro em que você não conhece ninguém. A bateria do seu celular acabou. De repente, o carro engasga, e como se já não estivesse com azar o suficiente, ele não quer mais pegar. São 23:01 de domingo, e tudo que você queria nessa noite fria de julho era estar em casa, embaixo de um cobertor e dormindo pra encarar a segunda-feira. Você pensa em chamar o guincho, mas o número estava no seu celular. O bairro não é barra-pesada, de forma que alguns carros ficam estacionados na rua.

Seu bairro ainda fica a 15 km de distância, uma boa caminhada entre subidas e descidas. Você está sozinho. Ao buscar um número de guincho na carteira, você descobre que ainda por cima esqueceu de sacar dinheiro – está liso, com apenas um cartão de crédito. E pior: não tem dinheiro em casa. Já passa das 22, e os caixas rápidos estão desligados.

Essa é a hora que você senta e chora. O guincho não aceita cartão de crédito. Moto-taxi também não. Nem táxi. Você tem um pedaço de plástico em que confiava, mas num momento de fraqueza ou estresse esqueceu de sacar dinheiro. E agora?

Danou-se.

Dinheiro de plástico

Tudo bem. Claro que estou exagerando. É só uma situação em que tudo dá errado e você fica em maus lençóis por confiar demais no dinheiro de plástico, ou cartão de crédito/débito. Não se iluda; as coisas podem dar errado, e hoje eu mesmo descobri que a) nem todo mundo aceita cartão; b) quando aceita, pode ficar fora do ar; e c) a máquina pode dar erro de leitura.

E se você não tiver o dinheiro? É hora de passar vergonha, de pendurar a conta do restaurante – o dono pode até te conhecer bem, mas quando se trata de dinheiro são elas por elas – ou deixar a identidade (celular, às vezes) no posto de gasolina, por ter esquecido de perguntar se aceitavam cartão. Você vai se sentir um bandido.

Mas que coisa, você pensa, estamos em pleno ano 2010, por que diabos as pessoas não aceitariam cartão?

Claro que o motivo é dinheiro. As operadoras de cartões cobram mensalidade por seus serviços, e uma módica taxa que varia de 3 a 5 por cento de toda a movimentação financeira que passa por suas maquininhas. Nem todo mundo está disposto a pagar mais um imposto só pra que seus clientes tenham a conveniência de não andar com a carteira cheia de dinheiro.

Me chamem de utópico, mas eu acredito que uma conveniência dessa poderia ser regida pelo Estado. Pensemos. Já pagamos impostos absurdos sobre quase tudo. No entanto, nos dispomos a pagar uma anuidade (em geral, alta) para usar cartões de crédito e débito, e nosso produto é taxado novamente para não precisarmos do dinheiro. Poderia funcionar como no Japão, em que as pessoas já pagam os impostos no momento que fazem a compra. Imagina como isso facilitaria a declaração do imposto de renda?

Eu sei dos perigos de se guardar dinheiro em casa. Mas olhando por um outro ângulo, se eu não tivesse deixado meu dinheiro todo no banco, eu poderia pegar um táxi, pagando ao chegar em casa. Por razões de segurança, de 22:00 às 06:00 não importa quanto dinheiro você tenha no banco, seja 300 reais ou 300 mil: você só tem o que está no seu bolso, e só pode gastar em locais que aceitam o seu dinheiro de plástico.

O resto não existe.


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