Conto aleatório 001: Sobre nascimento e morte.

11 agosto 2009

Marco é um jovem empreendedor bem-sucedido. Saiu da faculdade de Administração direto pra uma pós em Mercados Emergentes. Teve a sorte de ter encontrado a mulher de sua vida, aquela que lhe daria um motivo pra voltar pra casa e não dormir no trabalho. Ele era, sim, um workaholic; mas era muito mais apaixonado por Glória, sua esposa. Ela percebeu, certa vez, que uma ligação dela às 19 o traria pra casa às 20. Passou a ligar às 18:15, depois de voltar da academia.

No mundo dos negócios, a maioria das pessoas não tem tempo a perder com felicidade. Tudo se compra. Tudo se vende. Tudo se negocia: amizades, parcerias, sociedades. Mas Marco sabia que não se negociava com aquilo que ele sentia por Glória. Não havia pedágio a se pagar, não num mau sentido, pois Glória não era exigente. Ela pedia apenas o que ele conseguia oferecer, e nada mais. Ele conseguia fazê-la feliz. E pensou que conseguiria por muitos anos, até morrerem de velhice, ela primeiro, depois ele – pois ele não suportaria perdê-la. Ele receberia em breve uma notícia: Glória esperava seu filho.

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Cena Isolada 001

27 abril 2009

(Informação: Como alguns sabem, eu gosto de escrever, mas não gosto muito de mostrar o que escrevo. Muitas vezes por excesso de autocrítica, e outras por já ter sido detonado no passado por alguém quando mostrei meus escritos. O alguém não vem ao caso. Mas foi um golpe na minha, digamos, veia literária. Desde então continuo escrevendo, mas nunca finalizando nada. Ocasionalmente, eu imagino cenas para filmes, mas isoladas. Não sei o que vai acontecer, nem o que fez chegar até ali. Só penso a cena isoladamente, e às vezes as escrevo. Aceito críticas construtivas, por favor. Se bem que hoje acho que estou um pouco mais forte pra ignorar gente me detonando. Pois bem, leiam essa que escrevi hoje… e comentem, se quiserem. Está em formato de roteiro pra filme.)

(Informação 2: GRRRRRR eu odeio formatar coisas. NENHUM lugar deixa a gente formatar do jeito que a gente quer!!! Eu gostaria MUITO de apertar TAB! Infelizmente, quem quiser ler vai ter que ler no PDF Opa, acho que consegui manter a formatação!!)

          EXT. RUA NOITE

          Bernardo segura Carla pelos ombros, e olha nos seus olhos.

                              CARLA
                    O quê?

                              BERNARDO
                    Está sentindo?

                              CARLA
                         (engole seco)
                    Sentindo…?

          Enquanto ele fala, temos imagens das mãos de Bernardo
          segurando com firmeza os ombros de Carla. Eles estão
          parados numa esquina, sozinhos em uma noite fria de outono.

                              BERNARDO
                    A importância desse momento.

          Carla nada diz. Conseguimos ouvir a batida de seu coração,
          num close de seu rosto.

                              BERNARDO
                    Este momento é único. Mesmo que
                    duremos anos, jamais teremos algo
                    assim de novo…

          Bernardo aproxima seu rosto ao de Carla.

                              BERNARDO
                    Como a história de que nunca vemos
                    o mesmo rio duas vezes.

          Bernardo aproxima ainda mais seu rosto, como se fosse
          beijá-la. Carla não esquiva, mas também não fecha os olhos.
          Estão a centímetros um do outro.

                              BERNARDO
                    Com o tempo, esse suor frio das
                    mãos some…

          Close nas mãos dos dois entrelaçadas.

                              BERNARDO
                    … e vai pro rosto, onde antes
                    existia calor…

          Close na face esquerda de Carla, avermelhada, sem mostrar
          seus olhos.

                              BERNARDO
                    Depois, só resta o frio.

          Bernardo então leva sua mão esquerda aos olhos de Carla,
          fechando-os. A imagem some no momento em que ela fecha os
          olhos. Durante alguns momentos, a imagem EMERGE, mostrando
          que se beijam. Entao, a imagem volta completamente. Ambos
          estão de olhos abertos.

                              BERNARDO
                    O tempo vai destruir isso que
                    sentimos.

                              CARLA
                    Então cala a boca e aproveita.

          Eles se beijam novamente.

          FADE PARA PRETO.

          (FIM).


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