“Sua senhora, a minha tá lá em casa”

30 agosto 2010

Já ouviram a frase desse título em algum lugar?

Na verdade, formatando direitinho, ela é assim:

SUA senhora, a minha tá lá em casa!”

Já tem um tempo que eu fico com essa frase na minha cabeça.

Um amigo me contou a seguinte estória.

Ele estava trabalhando em uma empresa de informática aqui de Ipatinga.

Num certo dia, ele estava conversando informalmente com outros funcionários e com o chefe.

Em dado momento, ele exclamou “Nossa senhora!”

O chefe, evangélico fervoroso, de pronto rebateu com a frase acima.

Meu amigo ficou perplexo, mas deixou pra lá.

Afinal de contas, ele não é católico fervoroso.

É o que chamamos de “católico não-praticante”.

É aquele católico de criação, sabe rezar o pai-nosso e ave-maria, etc.

Não ficou muito chocado com o ocorrido.

Inclusive, ele me contou meio que rindo e meio sem graça.

Na época já achei aquilo esquisito.

Não sou católico, veja bem.

Mas sei reconhecer intolerância.

Quando alguém diz “Nossa senhora!”, normalmente está espantado, ou assustado, ou até rindo de algo.

Não é como se dissesse “Nossa Senhora, protegei de todos os males este teu servo e perdoai os infieis como os de outra religião que agora me escutam”.

Mas o interessante é que muita gente deve ouvir assim.

Dizem que religião não se discute.

Mas intolerância religiosa deve ser discutida.

Não são todos os evangélicos que são assim.

Mas alguns intolerantes acabam por fazer a fama.

Minha irmã mais velha se converteu ao evangelho alguns anos atrás.

Ela está cada vez mais envolvida com a Igreja.

Se isso faz bem pra ela, é ótimo.

Eu tenho minha religião, e sei o quanto é bom.

Acho que as pessoas estão se tornando muito religiosas.

Só que estão perdendo a empatia.

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro.

Minha irmã pegou a mania de dizer “Misericórdia!” para tudo.

Assim como as pessoas dizem “Nossa senhora!”

É o “Nossa Senhora” dos evangélicos.

Se você é evangélico, imagine se toda vez que você dissesse “Misericórdia” alguém te perguntasse:

“Misericórdia de quê? Tem alguém querendo te matar aí?”

Tá vendo?

Tolerância é importante.

Não sou letrado na bíblia, mas acredito que Jesus e tolerância tinham alguma relação.

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Artigo MTT: “Não está satisfeito com os locais disponíveis? Faça um novo”

8 outubro 2009

E aí pessoal

Vou reproduzir aqui um artigo do site Music Think Tank, do autor Derek Sivers, com o título “Not happy with existing venues? Make a new one.” O site MusicThinkTank.com é uma colaboração entre diversos autores que, ou trabalham com produção musical ou são artistas. É leitura obrigatória pra quem se interessa por produção musical ou quer melhorar sua própria música, ou suas estratégias de divulgação. Quem quiser ler no idioma original, clique AQUI. Tradução abaixo, comentários meus após o Leia mais!

Gary Jules é um músico de Los Angeles que desejava um local [N.d.T.: no original, “Venue”, serve pra bares ou casa de shows] em Hollywood que fosse mais amigável para os músicos. Um lugar onde pessoas fossem para ouvir, e não pra falar durante a música. Um lugar pra tocar, e não pra mostrar.

Por não existirem locais como este, ele decidiu criar um novo.

Ele notou um pequeno café em Cahuenga. Uma locação perfeita, no coração de Hollywood, mas não tinha música.

Perguntou então se ele poderia tocar lá nas noites de terça-feira, e trazer seu público e sonorização. Eles deixaram.

Logo ele estaria convidando seus artistas favoritos para abrir seus shows, e organizando um encontro semanal de compositores também.

Começou a dar certo, então ele deixava sua sonorização lá o tempo inteiro, e começou a marcar grandes artistas toda noite.

Só havia uma grande regra: proibido falar durante a apresentação. A plateia era avisada para não falar, e os músicos até mesmo parariam o show se alguém falasse. (“Você pode ir pra qualquer lugar em Los Angeles pra conversar durante a música. Não aqui”)

Dentro de alguns meses, o café nem mesmo abriria durante o dia mais. Eles agora são um dos melhores locais para música em Hollywood, The Hotel Café, e artistas mundialmente reconhecidos tocam lá todas as noites.

(Só pra esclarecer, Gary fez isso somente nos anos de 2002 e 2003. Ao final de 2003, ele conseguiu ter uma música no topo das paradas do Reino Unido, Mad World [N.d.T.: Cover de Tears for Fears]. Os donos do The Hotel Café, Marko e Max, merecem todo o crédito pelo impressionante crescimento desde então.)

De qualquer modo, o foco não é Gary nem o Hotel Café, mas isto:

Se você não está feliz com nenhum dos jogadores existentes na “indústria”, não limite suas escolhas ao que já existe. Você pode fazer um novo local, uma nova loja, ou qualquer outra coisa.”

(Este artigo pode ser replicado pela seguinte licença Creative Commons: ATRIBUIÇÃO-USO NÃO-COMERCIAL-VEDADA A CRIAÇÃO DE OBRAS DERIVADAS 3.0 UNPORTED)

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“Eu, Robô”

6 agosto 2009

Estou lendo o livro “Eu, Robô”, do Isaac Asimov. Gosto muito do estilo dele, o primeiro livro que li foi “Ventos da Mudança” (The Winds of Change) emprestado pelo Bruno Spacek.

Eu acho que gosto muito do estilo do Asimov, ele escreve de uma maneira que eu gostaria muito de escrever. Ele descreve procedimentos complexos e muitas vezes inventados como se fossem coisas casuais, seus cientistas têm muito de seres humanos também.

E os robôs… os robôs são a melhor parte do livro, então acho que não vou estragar a surpresa!
Só adianto que não tem NADA a ver com o filme. O filme só pegou o gancho das três leis da robótica que ele explica nesse livro.


Michael Jackson morreu, mas a música dele não foi a lugar algum.

9 julho 2009

Olá pessoal!

Bem-vindos a um post bêbado! Estava assistindo Cruzeiro x Estudiantes, acabou Zero a Zero devido a fabulosas defesas do Fábio. Mas não é sobre isso que eu venho falar. Se você leu o título, é sobre, claro, a sensação do momento, Michael. Jackson.

Bom, eu literalmente vim dizer o que o título já diz. É um post irrelevante, assim como o são os bêbados. Estou escrevendo bem, né? É porque eu volto atrás quando erro. Eu sou um bêbado com senso de licença poética. Que é negócio sério.

A minha opinião sobre o Michael Jackson é a seguinte. Eu fico vendo a lista dos Top sei lá quantos da Last.fm, e 8 das 10 mais tocadas são Michael Jackson.

Gentes.

Olha só.

O Michael Jackson morreu, ok? Vocês ouvirem a música dele loucamente e incessantemente não vai trazer ele de volta, ok? Morreu. Dead, gone. Agora, a música dele vai continuar aí, como diz o Edgar Morin (pronuncia-se MOHÃN), vai “Estar sempre vivo na Internet”. Até surgir uma Skynet, Ultranet, alguma merda que substitua nossa internet. Porque nada é pra sempre, ok? Sacou? Então não precisa ficar ouvindo MJ a porra do tempo inteiro. Ele morreu, mas vocês ainda estão vivos. Quem vive de passado é museu. Deixar seu Media Player ligado, tocando Michael Jackson o dia inteiro não vai trazer ele de volta. Assim como sua TV ligada na Record não ajuda bispo a ganhar dinheiro.

HURRA, consegui fazer um post com aquele gosto ruim na garganta e bêbado demais pra dormir sem o mundo girar. Ao mesmo tempo, bêbado de menos pra cair em qualquer lugar e apagar (vide Rodrigo no Hard Rock Café – em breve eu posto o vídeo para o LULZ da população).

Obrigado por lerem, e por favor, tirem o Michael Jakcosn da sua poaylist. Ele merece descanras.

(Puta fiquei com preguiça nessa ultima linha).


Possíveis implicações da não-obrigatoriedade do diploma jornalístico.

7 julho 2009

Olá a todos.

Hoje o assunto é um pouco mais sério. Mas entre Honduras e o diploma, eu escolhi o último.

Tem uma coisa que fiquei pensando ontem. O ministro disse que a “obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista fere à liberdade de expressão”. Beleza. Só que o jornalismo é a única forma de expressão?

Será que ele tem carteira de músico?

Será que ele tem carteira de músico?

Eu também sou músico, ainda não-remunerado, mas me atuo com seriedade e profissionalismo nas bandas que participo. Outro dia fui a uma reunião pra marcar uma data em um teatro da região (ainda não posso fazer propaganda, precisamos esperar agosto ;)) e momentaneamente “esqueci” de um assunto. A carteira de músico da OMB.

A OMB, pra quem não sabe, é a “Ordem” dos Músicos do Brasil. É basicamente um segundo ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de direitos autorais), outra sigla fantasma. Todo músico, pra tocar em público, teoricamente precisa de uma carteira da OMB.

Jobão, um compositor e músico daqui de Ipatinga, e meu amigo de infância, disse o seguinte quando mencionei a carteira da Ordem: “Ué, eu preciso de licença pra criar, agora?” Não pude responder. Afinal, são R$170 indo no vermelho anualmente por membro da banda. E não sei pra que serve essa Ordem. Ela não promove a música, não representa os músicos, não faz nem um festival. Qualquer DA de faculdade faz calouradas com BEM menos dinheiro que a OMB recebe. Eles não fazem nem um Festival da Canção, nada.

Agora, é aí que minha postagem de hoje encaixa. Se eu não preciso de diploma jornalístico e tampouco pertencer uma Ordem pra escrever, pra me “expressar livremente” através de texto… oras, isso não poderia gerar jurisprudência para o exercício da atividade musical, excluindo completamente a necessidade de uma carteira de músico? Afinal de contas, um show é uma expressão textual (letras) e audiovisual (música e performance). Isso não é reserva de mercado?

Claro que existe uma diferença básica entre diploma de música e carteira de músico. Então diríamos que a jurisprudência existiria caso se exigisse diploma de Música ou equivalente pra exercer a profissão de músico. Mas eu ainda acho esse argumento viável. Afinal, o representante da OMB vai até os shows e simplesmente impede as bandas de tocarem, se todos ou mesmo algum integrante não tiver carteira. Isso não é afronta à liberdade de expressão? Ou só seria caso as letras da banda fossem de cunho político e/ou contestador? 😉

Me vejo criticando a existência da OMB só pela ótica do Jornalismo, mas a criação de uma OJB não seria má coisa – obviamente, se fosse criada com um objetivo sério, difícil por aqui. Porque uma coisa a OMB tem de boa, e é o seu teste. Quem tem a carteira de músico pode dizer ao menos que tem conhecimentos musicais, coisa que nós jornalistas simplesmente não temos um teste que o valha. Assim como o teste da OAB, que previne que milhares de maus advogados possam exercer a profissão. E também pune os maus advogados ao cassar carteiras.

E no Jornalismo, como punir um repórter antiético? Como punir o jornalismo “investigativo” difamatório e enviesado? Não temos maneira. Afinal, tudo é liberdade de expressão. Mesmo a expressão com fins políticos e deliberadamente mentirosa.

Eu ainda estou esperando a Crise da Credibilidade Blogueira. Todo mundo gera informações? Gera. Mas quem apura? A maioria dos blogs inclui um “Via seilaoque.com”, e aí? Jornalista que é jornalista checa fontes. Blogueiro que é blogueiro checa cliques. Eu sempre fico com o pé atrás. E vocês deveriam também.


Pronto pra abrir sua vida?

16 junho 2009

Você já teve uma página pessoal. Já teve um Fotolog. Já teve um Multiply. Possivelmente já criou uma conta no Videolog.tv . Flickr. Orkut. Facebook. Twitter. Você pode ainda ser um escravo do Google. Mas nada disso acima se compara a algo que foi lançado hoje.

Opera Unite.

Anteontem eu vi uma propaganda no site da Opera, dizendo “Dia 16/06 nós vamos mudar a internet”. Num primeiro momento, desconfiei. E logo me esqueci daquilo, considerei mera bravata. Nem precisei lembrar de visitar hoje.

Eu estava no Del.icio.us , criando minha conta no site de Favoritos online, pra salvar alguns links, visitar depois, tava em aula, sacumé. E resolvi ver as notícias mais favoritadas no site, me deparei com esse anúncio, do Opera Unite. Resolvi entrar. Pra quê…

Toda vez que vejo uma inovação tecnológica assustadora, eu arrepio. Foi assim com o iPhone. Com o PSP. Com o Wolfenstein 3D em 1994. Com o Odissey em 1987. Paremos por aí. “Mal posso esperar”, eu disse no Twitter. Não foi como quando comprei o Super Mario RPG, que não rodou no meu Super Nintendo destravado. Cheguei aqui na agência, já baixei e já estou usando.

Qual é a inovação, você pergunta? Bom, sabe o servidor? Que eles usam pra você ouvir música, postar fotos, bater papo, colocar arquivos? Você é ele agora.

Sim.

Por exemplo. Eu estou aqui no meu computador, e tem um serviço chamado “Fridge”, ou Geladeira no bom português.  É uma geladeira virtual, onde você pode postar post-its pra mim. TENTE! Acho que tem que criar uma conta, mas onde você estava que não criou ainda?

Neste momento, estou ouvindo  o álbum The Colour and The Shape do Foo Fighters, usando o Media Player. Pra ouvir junto comigo, é só entrar no link http://trampo.xkuei.operaunite.com/media_player/ .

Oh, também estou compartilhando umas fotos no meu álbum de fotos.

Ainda estou meio besta. O pessoal da Opera ganhou mais de 9000 internets. Ainda nem usei o File Sharing, pra compartilhar arquivos, nem o Servidor Web. O cara quando sabe o que tá fazendo é outra coisa. Não era bravata; eles realmente mudaram a internet.

Mas como diria o sábio, “veremos…”

Veremos o que vai ser feito disso, se realmente vai continuar assim. Será que a RIAA vai me deixar virar uma rádio ambulante? Será que vão me deixar compartilhar arquivos sem moderação?

UPDATE: Caso não funcione, quer dizer que eu fechei o Opera. Já sabemos que eles querem que a gente fique online 24/7.


Tem dias…

18 maio 2009

… que a gente acorda do lado errado do corpo.

Parece que é um aviso do além. Você acorda como que bêbado, como que doente, mas sem ter bebido nada, sem estar fungando, sem nada. Mas você SABE que tem alguma coisa acontecendo.

E o seu dia flui, dessa maneira. É aquele clássico dia “eu não devia ter saído da cama”. Homessa, eu não devia ter nem deitado!

Acordei e fui ler jornais atrasados. Adoro notícia velha. Vocês não sabem o prazer que eu tenho de chegar na segunda e ler a Folha de domingo, de sábado. Ler notícias escritas na sexta e no sábado. É como se o mundo já tivesse digerido a notícia enquanto eu ainda a mastigo.

Só que, no finalzinho do meu jornal de sábado, fui ler os artigos de opinião, na página 2 da Folha, e peguei um meio indigesto. É como eu disse, acordei sabendo que ia  ter indigestão, antes mesmo de comer a notícia. 

Eu já estava sabendo que um deputado aí praticamente obliterou dois sujeitos que estavam em um carro, ele a bordo de seu possante. Pra quem nunca jogou Magic, Obliterar é 1. Destruir, suprimir, eliminar; 2. Fazer desaparecer.

3. Apagar. Foi isso que o tal deputado fez. Não estou fazendo crítica política, o fato dele ser deputado deveria ser um atenuante, mas muda pra pior. Porque o cara tinha 130 pontos na carteira. Quem já passou por uma auto-escola (tem hífen entre duas vogais diferentes, certo? Ou é autoescola?) sabe que você perde a carteira se passar dos 20 pontos. O cara tinha 130. Eu não imagino como o sujeito pode ter 130 pontos na carteira. Vou até colocar ênfase. Eu não imagino como o sujeito pode ter tanto ponto numa carteira.

É muita raça de irregularidade, o cara tem que ter a manha. 

Só que não foi isso que me deu indigestão.

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