Operadoras não tem razão para proibir Tethering

5 março 2011

Fala pessoal.

Estou aqui em Guarapari – ES para passar o carnaval com a família, regado a “Minha mulher num deixa não” e nada de sol.

E mineiro lá liga pra sol?

Guarapari - ES: mineiro não liga pra sol!

Nas últimas vezes que viajei pra cá, meu pai tinha um modem 3G da Claro, que usávamos pra acessar a internet. Uma mão na roda, viajar não significa mais ter de usar Lan House pra ler e-mails ou então ficar totalmente sem internet.

Eu sei que pra muita gente (leia-se viciados em trabalho) a graça de viajar é ficar incomunicável. Já eu não sei se gostaria de ficar 5 dias à mercê da TV, principalmente com a programação de carnaval me dando vergonha alheia.

Só que dessa vez não temos mais o modem 3G. Então as pessoas ficaram sem internet. Eu ainda podia acessar o twitter e facebook no iPhone, mas pra mudar de usuário é um saco. Fica difícil compartilhar meu plano de dados com os outros.

Tentei contratar um plano de conexão de internet móvel antes de vir pra cá, só pra descobrir que não existe mais plano ilimitado. O nosso plano, que foi cancelado, era ilimitado. É complicado mexer com teto de dados, pagar R$1,00 por MEGABYTE adicional simplesmente não vale a pena. E é mais caro do que o plano de dados para celular.

Felizmente, o iPhone tem a opção de Tethering — compartilhar a internet 3G pela rede Wireless — o que me deixaria compartilhar meu plano de dados com o laptop da minha irmã, claro que sem Youtube e com qualidade de conexão não muito boa.

Infelizmente, a Oi (e a maioria das operadoras de celular) proíbem o Tethering. Então, o que fazer?

Pra quem tem o iPhone com Jailbreak, a loja Cydia tem um app chamado MyWi, que passa por cima das configurações das operadoras, permitindo que você compartilhe sua rede 3G com outros dispositivos, ou fazer do seu iPhone um hotspot WiFi. Meu problema é: eu deveria mesmo ter que fazer isso?

As operadoras proíbem a prática do Tethering com medo das pessoas não contratarem mais seus planos de internet móvel. É o que eu faria se ainda tivesse meu chip com internet ilimitada. Mas hoje isso não faz sentido, pois se todas as conexões de internet móvel são limitadas, ao usar internet pelo tethering estarei usando mais dados celulares, optando por um plano de dados com limite maior, o que é melhor para as operadoras!

As operadoras precisam entender o seguinte: o usuário não vai contratar um plano de dados e um plano de internet, se os dois forem limitados por teto. Eu tenho Velox em casa e um plano de dados pro meu iPhone, mas eu não teria dois planos com limite de dados, ou teria muito a contragosto.

Todos perdem com isso. As operadoras deixam de vender  opções mais caras de seus planos, os usuários não podem usar todas as funções de seus aparelhos e precisam pagar mais caro para poder ter conexões compartilhadas (com péssima qualidade) e as fabricantes de celular ouvem reclamações de propaganda enganosa por uma decisão que não lhes diz respeito.

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Quanto vale uma coleção digital?

18 janeiro 2011

(Opa, Feliz 2011 a todos! Mais um ano aqui No Limiar do Estresse, e como sempre o conteúdo demora muito a sair. Espero que continuem entrando esporadicamente ao ver o anúncio no meu twitter – @xkuei – ou assinando o RSS do blog. Lembrando que esse é um blog sobre vários assuntos, mas basicamente: música, cinema e internet. Recentemente iniciei outro blog, chamado “Recém-Jornalista“, em que falo sobre minha formação profissional em Jornalismo e meus próprios desafios, algo como uma “jornada de aceitação pós-diploma” ao curso que escolhi e não exerci plenamente até o momento. Então obrigado por estar aqui. Boa leitura, e fique à vontade para comentar.)

Estava lendo um artigo do site Music Think Tank escrito por Kyle Bylin: “Coleções Digitais deveriam valer algo?” (Link: Should Digital Collections be Worth Something?), uma pergunta séria. No contexto que estamos vivendo, da computação em nuvens, do iTunes, Steam e Kindle, precisamos todos pensar em alternativas para o embuste que é o aluguel de conteúdo na internet travestido por compra. Citando Bylin:

“[…] consumidores podem vender seus livros físicos, doá-los a uma biblioteca, ou fazer praticamente qualquer coisa. Esse princípio também funciona para CDs, DVDs, e videogames. Permitindo assim que o mercado de itens usados e revendedores como eBay e Amazon existam e vendam títulos usados. Na era digital, esse conceito está sendo contestado. Não está claro se os consumidores deveriam ter os mesmos direitos quando compram conteúdo digital por downloads.

Você é dono de um iPod e um Kindle, mas não das músicas e livros contidos neles.

[…]

Isso gera um montante de 10 bilhões de músicas compradas por download  – e  ninguém é dono delas.”

Esse modelo de vendas digitais tem sido visto como o futuro da indústria do entretenimento. Para músicas, temos o iTunes Store, além de vários outros sites (como o finado Amie Street, o lendário Mp3.com ou o repaginado Napster). Para games, o mais conhecido é o Steam, da Valve (desenvolvedora de Half-Life e Counter-Strike) e Direct2Drive. Várias lojas (como Blockbuster, Bestbuy lá fora e Saraiva aqui no Brasil) estão vendendo filmes no modelo de download.

Lembra da desculpa para os preços abusivos dos CDs? Era o encarte, o libreto, a mídia física. Oras, disseram as lojas, vamos nos livrar da coisa física! Agora os preços estão mais baixos. Satisfeito? Só que você tem menos direitos também. Você não pode vender arquivos mp3 usados, nem arquivos PDF já lidos. E também não pode emprestá-los.

Não contávamos com isso, certo? Estava tudo escrito nos contratos que você assina ao comprar na iTunes store, ou na App Store, no Steam. Como vender um disco que você não ouve mais, se ele só pode ser ouvido no seu iPod? Como vender um jogo que você já terminou, ou que você comprou e não gosta mais, se o jogo está associado à sua conta do Steam?

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Sonora entrega o que Last.fm prometeu.

26 agosto 2009

E aí pessoal.

Exatamente o que o título diz. O Sonora, do provedor Terra, faz o que o Last.fm me prometeu no Trial. E por 10 reais por mês.

Eu ouvindo Dream Theater

Eu ouvindo Dream Theater

É simples. A versão trial (teste) do Last.fm me deixou ouvir as 30 músicas que eu queria. Simples assim: eu clicava no artista, clicava na música que queria ouvir, e ouvia. Mas depois que me tornei assinante, descobri que não existe um plano de música sob demanda para meu país. Ou seja, eu só posso ouvir rádios. Não que as rádios sejam ruins; as recomendações são ótimas, mostram muitas músicas realmente relevantes ao meu interesse musical. Mas eu não queria isso. Eu queria justamente a Music-On-Demand! Eu queria ouvir Under a Glass Moon quando eu quisesse! E não ouvir os trinta segundos que eles nos deixam ouvir.

Já no sonora, se eu quiser ouvir o Images and Words do Dream Theater INTEIRO, na ordem que eu quiser, eu posso. Desculpa aí, Lastfm. Você ainda é uma grande plataforma para se conhecer bandas, uma rede social muito eficiente. Mas se você me diz que eu posso ouvir as músicas inteiras, quando eu quiser, eu acredito. Agora, não bancou? É sacanagem. A Sonora bancou. Tudo bem que é só banda de gravadora. Lastfm aceita underground, etc. Mas se eu quero ouvir música, até a Radio Uol servia (quantos discos da Bjork já não ouvi lá, de graça, na década passada?) e infelizmente pra Last.fm, que podia conseguir ainda mais público aqui no Brasil, a Sonora serve melhor.

Caramba, o Last.fm fica MUITO irrelevante se você for ouvir as músicas completas no YOUTUBE! E tem muita coisa lá!


Computação em nuvem, né? E quando chover?

6 agosto 2009

Olá pessoal.

Como disse no post passado, o Twitter caiu. Isso me levou a pensar em um monte de coisas.

Bom, como todo viciado em Internet, eu acordei e já vim direto pro meu computador. Primeira coisa que fiz foi abrir o Tweetdeck e quis ler algumas pílulas de sabedoria/futilidade que só a internet pode me trazer. Fui atender meu telefone, e ao voltar, descobri que o Twitter tinha caído.

Tem um conceito super en voga ultimamente, chama “Computação em Nuvem”. Não quero colar coisa da Wikipédia, então vou explicar nas minhas palavras. É assim. Computação em Nuvem quer dizer que você, no futuro, não vai precisar ficar instalando coisas desnecessárias no seu computador. Por desnecessária eu quero dizer um processador de texto, planilhas, essas coisas que todo mundo precisa pra trabalhar. E teoricamente você não vai precisar de Paintbrush, ou Photoshop instalados. Eles terão suas versões online, e você só precisa ter uma conexão com a internet. Ah, você também não precisa salvar seus e-mails no seu PC de casa! Viva! É a revolução da nuvem! \o/

Mas peraí.

E quando chover?

Essa queda do Twitter foi a primeira que eu experimentei de verdade. Já tinha ficado sabendo que o Michael Jackson derrubou o Twitter (figurativamente, gente) dentre outros superfatos que fizeram as pessoas postar como Boêmios-LOQUI. Bom, hoje caiu comigo, na hora que eu acordei entediado e quis de repente enviar uma mensagem que pudesse ficar pra posteridade. Aí me vi pensando nisso.

Quando nossas coisas estão nos nossos HDs, são nossas. Ou seja, queimou a placa de vídeo? Compra outra, peste. Queimou placa mãe? Compra outra. Queimou processador? Bom, compra outro. Queimou HD? Aí você se fudeu. Mas é um risco que a gente corre.

E se cai um meteoro na sede do google e a gente perde tudo?

Tá bom, uma hipótese menos drástica. E se de repente um zelador do google derruba um balde numa tomada com 5 computadores, e tudo vira um incêndio de proporções míticas, e eles perderem tudo que é seu? E se um hacker roubar a senha do seu e-mail, você tem TUDO no seu e-mail (eu sei porque tenho tudo no meu, coisas velhas pra caralho) e de repente a nuvem derrete e vira água. E você… chuá… chuá… chuá…

E se eu fico sem internet, peste? Ninguém mais pensa numa vida sem internet? Ninguém acha que ainda não vai rolar um apagão digital? A gente confia tanto assim num bocado de fios operado por gente que não sabe o que é uma TIME-OUT NA CAMADA T3? Vocês acham mesmo que estão seguros? Mas, principalmente:  O Jack Nicholson poderia fazer o Wolverine velho?

(Essa última pergunta não teve nada a ver, inclusive)

Aí vem o Chrome OS que diz o seguinte. “Sorriam! Vocês podem ter netbooks f*didos e nós teremos os programas na nuvem! Ninguém vai precisar comprar o Microsoft Office, só vão precisar comprar nossos netbooks com o Chrome OS! Vocês estão salvos!”

Sinceridade? É lindo o conceito dos caras. Mas no mundo real, as coisas simplesmente dão merda. Eles deviam saber disso. Eles deviam saber que se tiver uma pane mundial da internet ou apenas dos seus servidores, se durar mais de 24 horas as pessoas vão estar PUTAS da vida com ELES que venderam um computador que não tem OFFICE, MEU.

Bom, é só minha previsão sobre o assunto. Encare como uma previsão meteorológica. Eles sempre dizem “Céu aberto com ocasionais pancadas de chuva e nuvens”. Ou seja, não me disse NADA!

Mas um dia a chuva vem, e a nuvem cai!


Possíveis implicações da não-obrigatoriedade do diploma jornalístico.

7 julho 2009

Olá a todos.

Hoje o assunto é um pouco mais sério. Mas entre Honduras e o diploma, eu escolhi o último.

Tem uma coisa que fiquei pensando ontem. O ministro disse que a “obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista fere à liberdade de expressão”. Beleza. Só que o jornalismo é a única forma de expressão?

Será que ele tem carteira de músico?

Será que ele tem carteira de músico?

Eu também sou músico, ainda não-remunerado, mas me atuo com seriedade e profissionalismo nas bandas que participo. Outro dia fui a uma reunião pra marcar uma data em um teatro da região (ainda não posso fazer propaganda, precisamos esperar agosto ;)) e momentaneamente “esqueci” de um assunto. A carteira de músico da OMB.

A OMB, pra quem não sabe, é a “Ordem” dos Músicos do Brasil. É basicamente um segundo ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de direitos autorais), outra sigla fantasma. Todo músico, pra tocar em público, teoricamente precisa de uma carteira da OMB.

Jobão, um compositor e músico daqui de Ipatinga, e meu amigo de infância, disse o seguinte quando mencionei a carteira da Ordem: “Ué, eu preciso de licença pra criar, agora?” Não pude responder. Afinal, são R$170 indo no vermelho anualmente por membro da banda. E não sei pra que serve essa Ordem. Ela não promove a música, não representa os músicos, não faz nem um festival. Qualquer DA de faculdade faz calouradas com BEM menos dinheiro que a OMB recebe. Eles não fazem nem um Festival da Canção, nada.

Agora, é aí que minha postagem de hoje encaixa. Se eu não preciso de diploma jornalístico e tampouco pertencer uma Ordem pra escrever, pra me “expressar livremente” através de texto… oras, isso não poderia gerar jurisprudência para o exercício da atividade musical, excluindo completamente a necessidade de uma carteira de músico? Afinal de contas, um show é uma expressão textual (letras) e audiovisual (música e performance). Isso não é reserva de mercado?

Claro que existe uma diferença básica entre diploma de música e carteira de músico. Então diríamos que a jurisprudência existiria caso se exigisse diploma de Música ou equivalente pra exercer a profissão de músico. Mas eu ainda acho esse argumento viável. Afinal, o representante da OMB vai até os shows e simplesmente impede as bandas de tocarem, se todos ou mesmo algum integrante não tiver carteira. Isso não é afronta à liberdade de expressão? Ou só seria caso as letras da banda fossem de cunho político e/ou contestador? 😉

Me vejo criticando a existência da OMB só pela ótica do Jornalismo, mas a criação de uma OJB não seria má coisa – obviamente, se fosse criada com um objetivo sério, difícil por aqui. Porque uma coisa a OMB tem de boa, e é o seu teste. Quem tem a carteira de músico pode dizer ao menos que tem conhecimentos musicais, coisa que nós jornalistas simplesmente não temos um teste que o valha. Assim como o teste da OAB, que previne que milhares de maus advogados possam exercer a profissão. E também pune os maus advogados ao cassar carteiras.

E no Jornalismo, como punir um repórter antiético? Como punir o jornalismo “investigativo” difamatório e enviesado? Não temos maneira. Afinal, tudo é liberdade de expressão. Mesmo a expressão com fins políticos e deliberadamente mentirosa.

Eu ainda estou esperando a Crise da Credibilidade Blogueira. Todo mundo gera informações? Gera. Mas quem apura? A maioria dos blogs inclui um “Via seilaoque.com”, e aí? Jornalista que é jornalista checa fontes. Blogueiro que é blogueiro checa cliques. Eu sempre fico com o pé atrás. E vocês deveriam também.


Pronto pra abrir sua vida?

16 junho 2009

Você já teve uma página pessoal. Já teve um Fotolog. Já teve um Multiply. Possivelmente já criou uma conta no Videolog.tv . Flickr. Orkut. Facebook. Twitter. Você pode ainda ser um escravo do Google. Mas nada disso acima se compara a algo que foi lançado hoje.

Opera Unite.

Anteontem eu vi uma propaganda no site da Opera, dizendo “Dia 16/06 nós vamos mudar a internet”. Num primeiro momento, desconfiei. E logo me esqueci daquilo, considerei mera bravata. Nem precisei lembrar de visitar hoje.

Eu estava no Del.icio.us , criando minha conta no site de Favoritos online, pra salvar alguns links, visitar depois, tava em aula, sacumé. E resolvi ver as notícias mais favoritadas no site, me deparei com esse anúncio, do Opera Unite. Resolvi entrar. Pra quê…

Toda vez que vejo uma inovação tecnológica assustadora, eu arrepio. Foi assim com o iPhone. Com o PSP. Com o Wolfenstein 3D em 1994. Com o Odissey em 1987. Paremos por aí. “Mal posso esperar”, eu disse no Twitter. Não foi como quando comprei o Super Mario RPG, que não rodou no meu Super Nintendo destravado. Cheguei aqui na agência, já baixei e já estou usando.

Qual é a inovação, você pergunta? Bom, sabe o servidor? Que eles usam pra você ouvir música, postar fotos, bater papo, colocar arquivos? Você é ele agora.

Sim.

Por exemplo. Eu estou aqui no meu computador, e tem um serviço chamado “Fridge”, ou Geladeira no bom português.  É uma geladeira virtual, onde você pode postar post-its pra mim. TENTE! Acho que tem que criar uma conta, mas onde você estava que não criou ainda?

Neste momento, estou ouvindo  o álbum The Colour and The Shape do Foo Fighters, usando o Media Player. Pra ouvir junto comigo, é só entrar no link http://trampo.xkuei.operaunite.com/media_player/ .

Oh, também estou compartilhando umas fotos no meu álbum de fotos.

Ainda estou meio besta. O pessoal da Opera ganhou mais de 9000 internets. Ainda nem usei o File Sharing, pra compartilhar arquivos, nem o Servidor Web. O cara quando sabe o que tá fazendo é outra coisa. Não era bravata; eles realmente mudaram a internet.

Mas como diria o sábio, “veremos…”

Veremos o que vai ser feito disso, se realmente vai continuar assim. Será que a RIAA vai me deixar virar uma rádio ambulante? Será que vão me deixar compartilhar arquivos sem moderação?

UPDATE: Caso não funcione, quer dizer que eu fechei o Opera. Já sabemos que eles querem que a gente fique online 24/7.


Do Netscape ao Twitter, Parte 2

6 abril 2009

Parte 2 de 3, iniciado Semana Passada!

Confesso, não tenho dados que confirmem essa ideia que vou dar agora. Mas eu acho que o ICQ dominou o mercado de Instant Messengers em sua época áurea. Pronto, falei.

Fui procurar sobre fatias de mercado ocupadas pelos Mensageiros mais usados – Aol Instant Messenger, Yahoo e MSN – e descobri que a AOL comprou o ICQ. E também que o AIM domina bastante nos EUA, mas falha no restante do mundo.

Como começou essa guerra?

Em Novembro de 1996 surgia o ICQ, como o primeiro grande programa de mensagens instantâneas. Como praticamente não havia concorrência de programas neste estilo, sua base de usuários cresceu de maneira veloz.

Seis meses depois, a gigante da internet americana America On Line lançou seu programa AOL Instant Messenger, ou AIM. Já ouviu falar que no amor e na guerra vale tudo? Muita gente culpa a Microsoft por fazer práticas de mercado desleais, mas no âmbito da internet, a AOL veio bem antes.

Não é ilegal, devo dizer. É simplesmente desleal. Mas quem disse que o mundo é justo? Como a America On Line era a maior provedora de internet dos EUA, o apoio institucional ao seu Instant Messenger era agressivo. Quando alguém assinava internet, recebia um CD em sua casa com um Kit Aol, em que vinha o AIM, dentre outras ferramentas.

Déjà vu, alguém? Essa prática inflou a presença do Aol Instant Messenger nos Estados Unidos de tal maneira que ele até hoje é o mensageiro mais popular por lá. É interessante apontar que o pensamento das empresas americanas valoriza muito mais o mercado interno do que o externo. Dessa maneira, o AOL massacrava o ICQ dentro de casa, mas perdia pra ele no resto do mundo.

O ICQ era um fenômeno global, e era simplesmente o melhor Instant Messenger. Ele tinha funções de recebimento de arquivo que o Windows Live Messenger não sonha em ter. Você podia enviar pastas inteiras, de uma só vez, sendo que o ICQ enviava arquivo por arquivo. O Windows Live Messenger entulha nossa tela de chat quando tentamos em vão enviar vários arquivos.

Em 1998, a Yahoo! lançou seu serviço mensageiro. Não foi uma ameaça direta ao mercado interno dos EUA, pois a AOL continuou dominando, e tampouco foi ameaça à hegemonia do ICQ – afinal, pra que você instalaria outro programa, sendo que todos os seus amigos usam o ICQ?

O derradeiro golpe no coração do ICQ veio com o lançamento do Windows XP. A AOL já tinha demonstrado o poder da venda casada, ao vender acesso à internet e enviar gratuitamente seu mensageiro. O problema de grandes empresas fazerem práticas agressivas é que as outras aprendem. E a Microsoft aprendeu.

Lançaram o Windows XP, e o que vinha com o Windows XP, Lombardi?? O maravilhoso Windows Messenger, um software que parecia ter sido programado às pressas por programadores preguiçosos. Em relação à beleza e funcionalidade dos outros, o Windows Messenger era a feiúra em pessoa. E ainda tinha diversos bugs. Mas qual foi o Grande Truque?

Facilidade Preguiça. Voltando à pergunta do Yahoo!, pra quê diabos eu vou baixar e instalar um outro programa? Ué, mas o Windows Messenger é o novato na parada! Só que ele vem com o Windows XP. Quando você formata seu computador, ele já está lá. E isso que impulsionou centenas de milhares de usuários que mal sabiam instalar um programa a entrar em contato com outras pessoas.

Veja bem, a Microsoft já fazia isso com o Internet Explorer, que anteriormente destruiu o navegador Netscape. Ela faria isso de novo, destruindo o ICQ. É uma linha de pensamento quase tão simples quanto a do Google. “Aparece um serviço legal, todos adoram, chegam a 200 mil usuários? O Google compra” (by Rodrigo Vieira). A linha da Microsoft é: serviço legal, muitos usuários, útil? Vamos copiar e colocar no nosso Windows!

Dá mais trabalho mas, como pudemos ver, funciona que é uma beleza.

Na semana que vem, blogs, redes sociais, e o fenômeno do Microblogging. Twi-o-quê???


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